( Domingo, Maio 13, 2012
Verdades absolutas

Cantei até a minha garganta sangrar. Já estava cansado de falar de amor, de sexo, de nexo, de cético. Eu comecei a cantar, assoviava e batucava na mesa. Não era samba, nem pagode, nem nada disso. Tem coisas que eu não lembro. Só lembrei-me da sua pupila, dos seus cabelos e da sua frase do Nietzsche tatuada no braço. Eu não tenho é você. Não tenho o seu telefone, mal guardei seu nome, mas sei do que você gosta e só lembro que o coração sambou junto no compasso. Admirei-te tipo Monalisa na exposição. Lembro-me de cada parte do seu corpo, da curva linda do seu sorriso, de como você pegava o violão e brincava com ele, como brinca hoje com a minha palpitação. Já ouvi tanto aquele cd de música romântica que eu ganhei, que arranhou. Passei o dia pensando em você, verdade. Não sei como vai ser cantar aquelas meninas que eu sempre valorizava. Porque eu encontrei você. Foi assim meio do nada, tipo esbarrar com o seu amigo no shopping lotado. Eu não estava preparado. A gente se prepara todo para o amor, para a paixão, para o sexo, para a vida. Mas não é assim que funciona. Comigo não podia funcionar do pior modo. Só ficou lembrança, cheiro e verdade. Ficou saudade também, porque eu não sei quando nossos olhos vão se encontrar de novo. Talvez se eu fechá-los e sonhar. Talvez se eu encontrar com você por acaso. Até lá, eu vou admirar até o tédio, a mentira e o café frio. Porque se lembrar de você dói um pouco. Nossos corpos ainda não se encontraram. Na boca só ficou a saliva áspera. Os lábios secos. Hoje está frio, o sol sumiu, minha mãe me deu um beijo de bom dia e eu vou partir pra luta. Eu vou esperar até o próximo encontro e quero duelar com você no nosso confronto. Sim, existem verdades. Estou um pouco vazio, o copo está meio cheio e a mente fervilhando. Essa é a maior verdade. Absolutamente eu preciso de você, preciso te ver de novo e dizer que o som da sua risada foi a música mais linda que eu ouvi quando desliguei o meu Ipod. Absolutamente, eu preciso de você e espero o tempo que for necessário. Até o meu peito explodir, minha ansiedade me destruir e o próximo eclipse acontecer. A outra verdade é que eu não vejo a hora disso acontecer.
( posted by daniel velloso em 8:36 PM




( Quinta-feira, Abril 26, 2012
A minha velha mania de mudar

A minha irmã sempre me chamava pra brincar de boneca com ela. Em troca, a gente jogava futebol no quintal depois. Minha vida sempre foi uma troca. A gente troca de roupa, de sapato, de humor, mas não troca essa velha mania de sonhar com uma menina linda, com um carro importado, com um relógio novo ou ganhar na mega-sena. Eu sou assim e não mudo. Mudança. Não vou mudar. Alias, me façam mudar! Ou será que eu devo realmente me mudar? Hoje eu vi um cara entregando bíblias para as pessoas como se ele fosse mudar alguma coisa. Muda, muda sim. Jesus te faz mudar. Ele é loiro, tem os olhos azuis e dizem que faz milagres. Eu o tenho tatuado no peito, confesso. Mas é por Amor e não para que ele mude alguma coisa na minha vida. Porque quem tem que mudar sou eu, porra. Não gosto de pregações, não gosto de mesmice, sou chato com esse lance de horários, tenho um coração enorme, mas não suporto carência e mudo, pelo menos, de opinião. Isso eu tenho que mudar, não tem como. Já arrumei as minhas malas e vou pra qualquer lugar que tenha um Mc donalds, a minha mãe e dois cachorros. As coisas vão mudar, pode confiar. Eu, com certeza, vou te avisar se um dia eu mudar de opinião.
( posted by daniel velloso em 2:49 PM




( Terça-feira, Abril 24, 2012
Sangue quente

Lugar onde mulheres não falam. Gemem. Foi sempre assim. Não fala muito, me beija. É tão sedutor esse barulhinho de Deus. Ou do diabo? O diabo com certeza aperfeiçoou. Com o seu beijo meu coração foi a mil. Pulsa, pulsa, pulsa veias, sangue, suor, calor. Quente. Arde mas que brasa em pele quente. Foi quando eu te vi no corredor, com pouca roupa. Ou foi na minha imaginação? Você fica linda com essa roupa. Mas eu prefiro sem. Sem roupa, sem pudores, sem você acho que não conseguiria. Acho tudo sem graça. Nossos corpos falando, falando em inglês, francês, alemão e na nossa língua. Línguas que passam por todo o meu corpo. Sussurra que me ama, vai? Ou fala àquelas coisas que eu adoro. A gente tem muita coisa em comum. Excitação um pelo outro, porque mais? Passa a mão em mim, passa em casa, me arranha, me suga. Você é meu remédio. Brinca comigo, bate com carinho. Na cama, me ama, no chuveiro, de quatro, no quarto, na sala, na cozinha, em cima das nuvens, me leva pro céu, assim, devagar, sem pressa. Pensei em você nua quando te vi passar pela primeira vez na minha rua. Senti o teu perfume. Aquele cheiro me encheu de tesão e foi a partir daí que as coisas começaram a acontecer. Hoje sou só eu e você. Não divido você com ninguém. Porque com você eu subtraio. Porque eu quero mais, mais e mais. Teu abraço é quente como, como e repito. Porra! Você é meu prato principal. Você me arrepia. Tudo sobe: adrenalina, batimentos cardíacos, e mais, muito mais. A noite está apenas começando e você tem o dom de me fazer enlouquecer. Já sou louco. Prefiro ser louco. Gosto de ser louco. Sou louco por você. Te como, te amo, te quero, te desejo, te protejo e é mais ou menos assim: eu prefiro ser louco, porque só sendo louco, eu posso te amar mais um pouco. Tira de cá, tira de lá, eu sou o seu investigador. Tipo nos filmes do Jack Nicholson. Que ele atira, atira e depois te come. Você tem fogo? Estou mais acesso que um isqueiro. Deixa o fogo arder. Que você treme e eu te como. Como? Com garfo, faca e alma.
Garçom, traz a conta, por favor!
( posted by daniel velloso em 11:46 PM




( Sábado, Abril 21, 2012
Vida breve

Eu sonhei com você hoje. Deve ser porque rezei por você antes de dormir. Deus é um cara legal. Nunca vi um cara tão feliz como Ele. Às vezes me afasto, fico no inferno e bebo algumas cervejas. Às vezes eu preciso ficar só. Mesmo sabendo que esse cara não larga do meu pé. Minha vida é feita de sorrisos. Mesmo quando eu escondo o tédio debaixo da cama. Mesmo quando eu faço uma prova de matemática e tiro a pior nota da turma. As pessoas me olham de cima a baixo e pensam muitas coisas. Eu também penso muito sobre as pessoas. Mas pensar demais dá dor de cabeça. Sinta! É bom quando a gente cabe num abraço. Quando a gente conta uma piada e a pessoa que você menos fala, dá uma risada. Eu sou meio esquisito. Durmo no sofá, às vezes esqueço e tomo banho de óculos, tenho poesias em tudo quanto é canto do meu quarto e gosto de elogiar as pessoas mesmo elas me odiando. A vida passa, eu não espero passar muito, porque acaba rápido. Muitas festas e não tantos motivos. Eu não sei o que esse cara que dizem ser Deus pensa quando eu fico sozinho no meu quarto ouvindo uma música triste, num dia triste e triste. Talvez Ele nem goste de ver as pessoas tristes. Tristeza pra que? Tenho casa, família, amor, chulé e todos os sonhos do mundo. Eu sou um cara como qualquer outro. Mas dentro desse outro, existe um cara tentando ser melhor do que ontem. Meus primos já estão maiores do que eu. Já não batem mais na minha cintura. Já pensam em namorar, casar, ter dinheiro e ser feliz. Sou feliz por isso. Sou feliz pelos outros. Quero que todos sejam felizes. Mas não dá, não sou Deus. E quer saber? Deus não é esse cara tão poderoso como todo mundo pensa. Tem gente sofrendo, crianças chorando, animais morrendo e corações sangrando. E quando eu penso em acabar com tudo, jogar tudo pro alto, me ferir mais, me apaixonar loucamente, esse cara aparece e diz pra eu ter calma. Ele brinca, Ele é feliz, Ele quer te ver feliz. Não é isso que os crentes dizem? Até eu acredito, não precisa ser crente. Mas talvez a gente precise de um primeiro passo. Passos largos. Não corre não, cara. Você pode cair, tropeçar e vida breve. Sabe? É assim e Bum! Silêncio. A vida está gritando socorro e eu preciso viver. Até os cem anos, até os vinte sete ou daqui a 2 segundos. Enquanto eu amar, estarei vivendo. Vivendo assim: breve.
( posted by daniel velloso em 4:02 PM




( Quarta-feira, Abril 04, 2012
Das marés...

Chegou feito mar revolto. Leve como uma brisa. Ágil como um tufão. Áspera como o frio e surpreendente como as ondas. Eu não devia ter percebido. Mas quando o coração sangra, tá na hora de estancar. Com sal dos mares. Revigorante e deslumbrante. O movimento do vai e vem, me lembra quando nossos corpos falam. Lembra-me que hoje é hora de dormir mais tarde, pois vou ficar olhando para o teto pensando em você. Se chover, será um grande incentivo para eu tomar um banho na alma. As pessoas chegam a nossas vidas e deixam o endereço, o destino e os sorrisos. As lágrimas a gente deixa no mar. Pra Deus levar, para mundo ver que hoje estamos sorrindo e felizes. Os olhos de capim me fizeram pensar que a mãe natureza é perfeita aos olhos do homem e criada por alguém que estava irradiando amor.
Eu vou pular no mar de roupa e tudo, espantar os meus demônios, correr risco de vida, risco de me perder. Talvez eu já esteja perdido. Estou em branco, a folha do caderno está estática. Quando eu te vi, quebrei os meus olhos. Porque eu estou olhando pra você. E o branco dos seus olhos é a coisa mais linda que eu já vi em toda a minha vida. Coisa de marés. Como é mesmo o seu nome? Veio soando junto com o balanço das ondas. Surgiu como quem surgi de paz. E é isso que eu estou sentindo nesse momento: paz. Ela invadiu o meu corpo como uma febre sem volta. Meu corpo está meio tremulo e eu não tenho outra saída a não ser me entregar. Vou me jogar nas incertezas inertes pela água do mar. Peguei na sua mão e foi como se pegasse uma onda de dois metros de altura. Como se eu tivesse adrenalina suficiente para explodir com o meu coração e morrer naquele minuto. Mas eu não queria morrer agora. Eu queria te sentir, te viver tendo o mar como trilha sonora. As coisas não são fáceis assim. Foi assim que uma onda me levou de mãos dadas para a sorte. Chorei sozinho. Conversei com Deus e ele disse para eu me aquietar. No dia seguinte lá estava eu, do lado das marés suplicando para serem admiradas. Mas elas não precisam disso. Elas têm brilho próprio. São elas que fazem meus olhos brilharem. Por isso eu mergulho sempre de cabeça. Até perder a cabeça, até perder a esperança. Até perder tudo. Até perder-te. Que tudo aconteça rápido antes que eu morra afogado.
( posted by daniel velloso em 6:28 PM




( Sexta-feira, Março 30, 2012
Assim seja

Olhei no espelho, lavei o rosto, lavei a alma. Calma! Trauma, desde criança eu tenho traumas. A vida me ensinou a ser maior que traumas, maior de almas. Mas eu choro, rezo o terço. “Deus, por favor, apareça na televisão.” Peguei o controle, estou no controle. Da vida, divida: amor, paz, carinho, e me dê um pouco de atenção. Eu só queria sua atenção, seu bom dia, seu sorriso e um pouco de compaixão. Arde por dentro, suicídio lento. Queria ter dois corações: um pra bater e um para não se abater. Queria pular de paraquedas e correr meia maratona. Meia não, nada pela metade, eu sou copo cheio. Transbordando... Tipo rezar sem ter religião. Percebi que estou num beco sem saída. As pessoas me olham desconfiadas, mas elas acreditam em mim. Elas acham que eu posso ser o super-homem. Elas acham que eu falo francês como todos os franceses falam. Até que eu queria conhecer a França sim. Mas prefiro te conhecer melhor. Conhecer as pessoas. Como elas agem, como elas falam, como elas se comportam, como elas exalam, como elas tentam, como elas se calam. Deus brinca com as pessoas fazendo com que elas desacreditem Nele. Pai que mata a mãe, mãe que mata o filho. Pensei em ter um filho semana passada, mas desisti. Ainda sou muito inocente. Mas eu tenho esperanças. Não morre não, por favor? Tenha piedade de mim. Você pensa que eu vou desistir? Sim, sim... Pensei nisso hoje de manhã. Mas desisti. Assim seja.
( posted by daniel velloso em 7:53 PM




( Segunda-feira, Março 26, 2012
Putas

Catra nunca fez tanto sentido. Senta e rebola. O importante é ir até o chão como o diabo quer. Sexo sem orgasmo. Fácil, bem fácil. Pode tocar, é de graça, mas sem graça, cheia de graça. Bundas, seios, perna e coxa. Que massa! Encefálica? No chão, rebola mais! Ereção, nojo, mulheres vulgares, uma noite e nada mais. Romantismo só nos livros do Machado. Flores de chocolate. Livros da Bruna Surfistinha. Clima quente. Mexe, mexe, mexe mais. Me perdi no rebolado, meu pênis não é bobo. Mas a clareza dos fatos me remete ao fato principal: putas. Ao fato? Ao prato! Prato principal, esfrega, esfrega, esfrega – mulher objeto. Não de estante, mas de esquecer. Memória pra que? Bêbadas, safadas, cruéis. Vai Serginho, vai Serginho. Pensa com carinho, porque não é valorizada. O valor no anel, na maquiagem, na imagem, rebola mais um pouco, enrola, me enrola. Sexo é inevitável, assim como o vazio. Vazio de Deus que o povo gosta. Declarações de amor e poemas ficaram na minha cabeceira, guardados, com fungos, no lixo. O que mais que você tem? Tem alguma coisa pra me dizer? O que você tem além dessa bunda arrebitada? Virou moda sair na revista, virou moda usar as coxas, nas colchas, lençóis, cama. Descartáveis, bonecas infláveis. Você vê muito por ai. Loirinha com cara de santinha, morena cruel, ruiva sobrenatural. Não importa a cor. Já sei de cór. É problema. Pega no tranco, pega no banco, pega na escola, pega no sexo. Vida vazia. Depressão, dor, lamenta, choro, rebola, rebola mais. Não me deixa na mão. Só queria te dar meu coração. Ih, rimou, você quer meu coração? Estou jogando ele fora. Se quiser, pega ai. Pega e joga no lixo. Sua moral tá caída. No chão. Até o chão. Vem novinha, vem! É só isso que você tem de bom? Vamos negociar? Desapareçam putas carentes. Ou me chupem. Ou me escutem. Vocês estão valendo menos que a realidade. Beijei, cuspi, cerveja, sexo. Desinfetei a cama quando você saiu. Desinfetei a mente. Vagabundas. Bundas. E nada mais.
( posted by daniel velloso em 5:25 PM




( Sexta-feira, Março 09, 2012
Fratura exposta

Passei pela tempestade. Corri de dinossauros. Vi minha vida acabar por um milésimo de segundos. Mas como o tempo: passa. Voando, voei e aprendi. As coisas são difíceis pra mim. Tive que optar por me jogar ou cair. Me joguei, mas cai do mesmo jeito. Ainda dói os arranhões, as feridas ainda não cicatrizaram. Chutei o balde e vi as coisas do meu jeito. O sol é tão brilhante, as nuvens fofas, as mulheres desfilando, as pessoas te encarando e te amando de alguma forma. O mundo é isso. Vivemos sendo paquerados pela morte. A morte talvez seja um alívio. Assim como quando acaba o carnaval. Meu coração anda caindo do buraco. As veias saltam latejando. Estou sofrendo. Mas não dá em nada não. Sofrer é ganhar um pijama da sua tia no dia de Natal. É saber que você dorme numa cama quente e outras pessoas não tem cama. Ou até mesmo saber que tem pessoas que não saem de suas camas pra nada. Ando bebendo muita água ultimamente. Estou sedento de liberdade, de mar, de vida, de coração pulsando, de frio na barriga. A morte nem é tão cruel. A vida sim. Mas apesar disso, é boa. É uma boa forma de nos enganar de que somos realmente felizes mesmo comendo o pão que o diabo amassou. É verão! As mulheres ficam muito mais sensuais. Ofuscam o ar quente que vem das calçadas, estão cheias de amor pra dar. Amor? Ou alguma coisa que as tire da carência profunda. Dessa vez eu vou viver e não vou olhar pra trás. Não quero cair. Senão a cicatriz será profunda. E pode ser tarde demais.
( posted by daniel velloso em 9:00 AM




( Sexta-feira, Dezembro 30, 2011
Cosmonauta

Viajei pra te encontrar. Naquela casa de campo. O cheiro de mato me matava por dentro. Eu sempre vou te amar. Não adianta. Tudo me lembra quando você voltava correndo pra mim e dizia que eu era um cara legal e que você queria me ter pra sempre. O mundo parece uma roda gigante maluca que me fez esquecer de escovar os dentes por dois dias. Eu queria que tudo fosse mais fácil e que a minha mãe não morresse. Mãe não pode morrer como formiga. Não inventaram ainda uma solução para viver em paz. Inventaram os Ipods, os carros que voam, mas não a solução que acabe com a saudade. Saudade é como o café frio que eu bebi na noite passada pra te esquecer. Eu não dormi a noite inteira pensando no teu sexo, no teu cheiro, na tua boca e na tua velha mania de me enlouquecer. O calendário tá acabando, as nuvens estão cada vez mais densas, o cigarro está matando cada vez mais. Eu só vejo felicidade no seu sorriso. Sorriso esse que nem é meu mais. Nada é pra sempre, cara. Tudo tem um “the end” no final. Malditos enlatados americanos que me fazem chorar nas madrugadas frias de inverno. Mas me aquecem mais que edredon quando eu tenho alguém pra fazer cafuné, fazer o almoço, arrotar e sorrir. Por isso estou aqui fumando meu charuto que meu avô tinha na gaveta e bebendo o vinho velho pra caralho que faz um efeito danado mesmo se eu tomar um gole. O mundo precisa de paixão. Com paixão todo mundo será mais que feliz nessa vida. Mas eu só vejo ódio, mentira e ambição. Tenho medo do futuro, dos meus filhos, da babá sem telefone, de soltar pipa quando estou com ódio do mundo. Eu nunca disse que era normal. Esse ano eu fiz um monte de merda: pisei na pata do meu cachorro sem querer, esqueci de tomar banho por dois dias, colei chiclete na cadeira da professora da faculdade, matei aula pra jogar buraco com um pessoal, tirei a pior nota em antropologia da sala inteira. Mas eu aprendi. Aprendi com o tempo, porque todo mundo só aprende com ele. Obrigado “Senhor tempo bom” por me castigar quando eu faço xixi na cama. Mas um dia eu sei que você vai viajar e vai me deixar voar sozinho. Vai ser bem bacana, sabe? Eu vou me soltar de você, vou dar a lua pra alguém e no final, algo de feliz vai acontecer. Eu sei que vai. Porque tristeza nunca é pra sempre. Como diria meu mano “De morais”.
( posted by daniel velloso em 8:13 PM




( Terça-feira, Dezembro 06, 2011
Pisca-pisca

Joguei tudo pro alto. Deus, Jeová, Jesus Cristo e o diabo que o carregue. Ganhei paciência com as lições que tive dos meus 15 anos e hoje percebo que sou uma pessoa amena. Adorei aquele seu trocadilho no final de “fomos felizes” que acabou como um monte de bosta, besta, basta. Não viu que acabou? As flores murcharam. Te odeio. Te odeio muito. Por isso eu acho que me masturbei de porta aberta, abri a janela e gritei o nome do meu time e desisti de ganhar dinheiro. Cessou o ódio e veio a inércia, o cansaço, a bosta. Me dá um presente? Some com seus adjetivos inúteis, suas pessoas vazias, seus copos cheios de indiferença. Eu nunca fui feliz. Felicidade não existe. Quer enganar quem? O sêmem destruído, a estrela se apagando, crises de choro, mundo de cabeça pra baixo. As pessoas são até legais, mas o sorriso é forçado. Pra que mentir para nós mesmos? O soco no vácuo, a ferida que não cicatriza, rezar, amém. Que assim seja, amanhã um dia menos cinza e uma vida menos vazia. E que essa bosta piscando não seja mais uma daquelas maneiras de fazer com que você fique com cada vez mais ódio.
Feliz Natal!
( posted by daniel velloso em 4:43 PM




( Segunda-feira, Novembro 21, 2011
Tão longe

Estou recolhido de mim. Fiz um pacto com o meu prazer: que ele me deixe tê-lo quando nadando no oceano, com brisas incertas acabe aprendendo a nadar. Minha sina é sofrer nesse mar de saudade. Não tente me afundar, já pulei de cabeça. A coragem do covarde é a morte. Eu sei assumir minhas escolhas, sei o que quero trapacear. Quero que o amor que eu tenho, vá à velas até a eternidade. E que a felicidade se faça se depender de mim, das minhas orações e do meu desgaste. Tudo acaba. Mas o que não acaba fica, finca. Só Deus pode me consolar. Nem a chuva fez você voltar. E o sol castiga, meus olhos cansados, o suor que arde, o tempo que passa rapido demais. Ter tanto amor sendo só é tão ruim.
( posted by daniel velloso em 10:16 AM




( Quarta-feira, Novembro 02, 2011
Branco

Televisão ligada gera desconfiança. Um monte de canal em branco. Vidas em branco. As pessoas morrem. Ou já estão mortas? Mortas estafadas no sofá de couro. A vida passou, e eu não aprendi nada. Aprendi que tenho muito que trabalhar. Nada que eu digo, é “nada que eu não saiba”. Um monte de nadas que a gente aprende. O beijo que a gente dá todo dia no cachorro, o abraço da mãe, o cheiro do cabelo, o ônibus cheio, a vida. Um grande nada em branco. Ai eu rabisco um pouco, brinco, pinto, me transbordo em forma de cores. Foi só assim pra me animar. O verde do gramado, o azul do céu, o amarelo do sol e o branco dos olhos que me fazem enxergar a vida desse branco que é viver.
( posted by daniel velloso em 6:32 PM




( Segunda-feira, Outubro 24, 2011
Câncer na alma

Plantei um pé de bananeira no jardim. Cresceu muito. Mandei podar. Na vida a gente não pode esticar muito, senão é “podado”. Nem prosa, nem verso, nem pé de bananeira. Fiquei com inveja do meu chefe: carros, mulheres, viagens e dor de cabeça. Dinheiro trás problemas também. Vocês pensam o que? Eu não tenho dinheiro, mas claro, problemas eu tenho. Queria ter mais dinheiro... Mas tem muita gente sem saúde também. Tô vendendo. Há anos não pego uma gripe. Não sei o que é dor de barriga, tosse e chulé. Eu não dou muito valor aos problemas. Porque eu cresci demais com eles e tá na hora de podar.
( posted by daniel velloso em 2:45 PM




( Quinta-feira, Outubro 20, 2011
Era ela

Não existem pessoas que falem mais do que padres e advogados. Gesticulam muito, brigam com o inconsciente das pessoas. Tem poderes mágicos. Não, não era disso que eu ia começar o texto. Começar o que mesmo? Não sei começar nada. E muito menos terminar. Terminei com a minha namorada, nunca terminei uma borracha, sei terminar brigas, mas incentivo que as coisas terminem para os outros. Eu sou um babaca. Brigo comigo mesmo, tenho ataques, tenho pressões no peito, tic tac, tic tac, pressão 12 por 8, médica gostosa, caveiras que significam sabedoria. Eu tenho uma caveira no braço. Mas nem por isso vou dizer pra vocês que sou sábio. Eu sei que o nada eu sei. Talvez haja hipóteses, mas se não é nada, porque as pessoas cismam em querer modificar? Eu gosto de modificar. O sofá, o som, o solo do violão, as brigas com a minha mãe, o barulho chato do telefone e a cor do céu. Hoje nem choveu, olha que maravilha. Deu praia, deu mulher pra caramba. Mas isso se dá todo dia. Tudo doado, tudo acabando dentro da minha pupila, que pulsa, que pulsa, que vê e acha tudo uma grande bobagem. O mundo? Já está acabando, meu amigo. Estou em greve e faz tempo que não paro pra pensar o quanto eu já pensei que houvesse hipóteses de que alguma coisa fosse um nada. A geladeira urra, minha barriga chora e meus olhos estão vermelhos. Estou com sede. Alias, bebi a água do jarro de flores da sala. Pobre sala, não tem nenhuma flor. Vazia, triste, feia. Eu que fiz, lembra? Meu coração tá assim, mas tá pulsando, senão eu tava roubado, meu amigo. Veja só, eu ouvindo música em inglês que não entendo nada. Cabeça, bunda, perna, coxa. É só rebolar um pouco, lembra? Eu te disse que era fácil. Ainda mais você que tem bunda, perna, coxa. Cabeça você deixa pra lá. Cabeça quem cuida é terapeuta. Deixa essa loucura pra lá. Deixa a dança te levar. Ou então eu te levo. Não tenho carro, não tenho dinheiro, mas tenho história. Vou te contar algumas enquanto você se preocupa com o maldito celular esperando a ligação do seu namorado. Minha última namorada foi quando eu pensei que estivesse sonhando e acordei assustado, com medo, com frio, com febre. Foi até bom. Alias o que não é bom nessa vida? Agradeci ao meu anjo. Mas ele não me deixa dormir, porque disse que eu tenho que parar de pensar-nos outros e pensar em mim. Anjo dá bronca, anjo é grosseiro também. Mas eu sou do capeta. Sou da rua, sou do mundo, sou transtorno, sou doença, sou de mim. E ela? Era ela. Dela, só dela. O dia que não precisava terminar. Pouco tempo, pouca roupa, muito pensamento e muito dela. Era ela. E eu dela. Foi só fechar as cortinas que ela desapareceu. Gostou de brincar de marionetes né, senhor? Que espetáculo! E eu o palhaço. Que sonha e que chora, que ri. Você acha que o palhaço ri o tempo inteiro? Faça-me o favor! Olha o telefone tocando, meu relógio apitou, o cachorro latiu, minha cartela de comprimidos acabou. É amanhã! Amanhã eu vou rir disso tudo que me faz mal. Mas amanhã falta uma madrugada inteira. E será que nessa madrugada sairemos vivos?
( posted by daniel velloso em 11:29 AM




( Quarta-feira, Outubro 19, 2011
Siga

Eu não sei o que sou e não sei o que eu tento ser. Não sou nem você, nem você sabe o que eu sou. Não sou aquele que você quer que eu seja, nem o que você quer ver andando de mãos dadas com você. Podemos andar de ônibus, eu e você. Você vai na cadeira da frente e eu vou na de trás. Você fecha a janela e eu abro bem pra sentir a brisa. Não sei o que você está sentindo. Eu sinto medo. Sinto medo de você e da brisa que dá resfriado. Mas você quer que eu seja o que eu não quero ser. Não quero ser rei, não quero você sendo rainha e não posso te dar o céu. Quem sabe uma estrela ou duas, mas basta. Sinto muito. Alias, minhas pernas balançam mais que o ônibus. Deve ser do remédio ou do tédio de estar sozinho. Estou indo ao encontro do “sem saber”. Mas você sabe o que é o “sem saber”? Fica onde fica o infinito. Minha mãe dorme, meus cães dormem, meus vizinhos fazem sexo, e minha avó não dorme enquanto eu não chegar. Acho que nunca vou chegar. Talvez haja muitos obstáculos. Talvez eu durma no caminho, encontre um arco íris ou veja o mar cobrindo meus olhos. Talvez eu sinta latejar o meu coração quando penso em você. Vou pensar em ti com carinho, porque eu gosto de te ver sorrindo quando eu abro minhas cortinas. A peça nunca é curta, dura umas 3 horas. Mas eu vejo pelo seu sorriso que minhas mãos te guiando te levam ao infinito do quero ser pra sempre seu ou do queria que isso durasse pelo menos mais um pouco. Dormi um pouco depois do almoço e cocei a cabeça cheia de escarro. Onde fica a eternidade? Viver até os 27 anos tocando guitarra? Beber dois goles de chá verde e amenizar a enxaqueca? Poxa, vocês sabem que o mundo só funciona assim para os que têm sorte. O mundo é uma bola de neve num Rio de Janeiro onde faz 40 graus na primavera, onde os gordos se enchem de diabetes, onde as pessoas não se importam. Onde os trocadores de ônibus só escutam os enredos nas novelas. Não me importa onde você deite, onde se deleite. É esse meu estranho amor. Que eu não sei como funciona. Não é igual pipoca de microondas. Por isso eu vou levando. Se quiser me dar à mão, me dê. Mas antes de sair, lave-as.
( posted by daniel velloso em 11:20 AM




Quem sou eu?

Daniel Velloso, 26 anos, assessor de informática, fotógrafo, webdesign, estudante de comunicação social, escritor e viciado em tatuagens.

Cel: (21) 96604670

E-mail:
dantevelloso@gmail.com


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